domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com crianças durante dias muito quentes em Tabatinga

Veja como proteger crianças e bebês em dias muito quentes: quando oferecer água, como manter a casa fresca, quais atividades evitar e quais sinais exigem atendimento médico.

Os cuidados com crianças no calor devem ser reforçados durante os dias de temperaturas elevadas. Bebês e crianças pequenas podem perder líquidos com mais rapidez, nem sempre conseguem identificar ou comunicar que estão com sede e dependem dos adultos para permanecer em ambientes frescos e protegidos do sol.

Em Tabatinga, famílias podem adotar medidas simples para reduzir o risco de desidratação, mal-estar, queimaduras solares e doenças relacionadas ao calor. A recomendação é oferecer líquidos com frequência, ajustar os horários de atividades ao ar livre e observar mudanças no comportamento, na disposição e na quantidade de urina da criança.

O Ministério da Saúde considera crianças um dos grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor. A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode causar desde desidratação e fraqueza até insolação, uma emergência que exige atendimento médico imediato. (gov.br)

Ofereça líquidos com frequência

A criança não deve esperar sentir sede para beber água. Durante os dias quentes, os responsáveis devem oferecer líquidos regularmente, especialmente antes, durante e depois de brincadeiras ou atividades físicas. Crianças maiores podem manter uma garrafinha limpa e tampada por perto, em casa, na escola ou durante passeios.

A partir dos 6 meses, a água própria para consumo deve ser oferecida ao longo do dia, principalmente nos intervalos entre as refeições. Também é importante manter o aleitamento materno, quando ele fizer parte da rotina da criança. Em locais muito quentes, a necessidade de água pode aumentar, mas a quantidade varia conforme a idade, a alimentação, o nível de atividade e as condições de saúde.

Para bebês com menos de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, não se deve oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos sem orientação profissional. O leite materno fornece a hidratação necessária nessa fase; em dias quentes, o bebê pode mamar com mais frequência. (gov.br)

Quando a criança apresenta vômitos ou diarreia, a perda de líquidos pode ser maior. Nesses casos, o soro de reidratação oral deve ser usado conforme orientação do serviço de saúde ou da bula do produto. Bebidas muito açucaradas, refrigerantes e sucos industrializados não substituem a água nem o soro indicado para reidratação.

Como manter a criança em um ambiente fresco

O cômodo onde a criança permanece deve ser ventilado, mas sem deixá-la diretamente exposta a correntes de ar muito fortes. Sempre que possível, mantenha cortinas ou persianas fechadas nos períodos de maior incidência de sol. Janelas podem ser abertas no início da manhã e à noite, quando o ar externo estiver mais fresco.

Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado podem ser utilizados, desde que estejam limpos e não direcionem vento intenso diretamente para o rosto da criança. Banhos em água fresca ajudam a aliviar o desconforto, mas não é necessário usar água muito gelada. Roupas leves, largas e de cores claras favorecem a troca de calor e reduzem o desconforto.

Também é importante evitar o excesso de cobertores, mantas, toucas e peças sintéticas. Em bebês, o suor excessivo, a irritação na pele e a vermelhidão nas dobras podem indicar que a roupa ou o ambiente estão quentes demais.

Reduza a exposição ao sol e reorganize as atividades

Brincadeiras, caminhadas e esportes devem ser programados para os horários de menor calor, preferencialmente no início da manhã ou no fim da tarde. Nos períodos mais quentes, a criança deve permanecer na sombra ou em um ambiente fresco, principalmente quando houver sensação de abafamento, baixa ventilação ou umidade elevada.

Mesmo na sombra, a exposição solar pode causar queimaduras. Crianças devem usar roupas adequadas, chapéu ou boné e protetor solar compatível com a idade, aplicado conforme as orientações do rótulo e do profissional de saúde. O produto precisa ser reaplicado quando indicado, especialmente após suor intenso ou contato com água.

Em atividades externas, os responsáveis devem fazer pausas frequentes para descanso e hidratação. A criança não deve ser incentivada a continuar brincando se estiver cansada, irritada, sonolenta, pálida ou com tontura.

Atenção especial para praias, piscinas e rios

O calor aumenta a procura por piscinas, praias, igarapés e outros locais de banho, mas a diversão exige supervisão contínua. Crianças pequenas nunca devem ficar sozinhas perto ou dentro da água, mesmo que saibam nadar ou estejam usando boias.

Boias de braço e outros acessórios não substituem a presença de um adulto. O responsável deve permanecer próximo, com atenção exclusiva à criança, evitando o uso do celular durante a supervisão. Também é importante verificar a profundidade, a correnteza, as condições da água e a existência de áreas seguras para entrada e saída.

Após o banho, a criança deve ser seca, receber roupas leves e beber água. O protetor solar precisa ser reaplicado conforme as orientações do fabricante. Bebês devem permanecer protegidos do sol direto e do calor excessivo, mesmo durante passeios rápidos.

Observe os sinais de desidratação

A desidratação ocorre quando o organismo perde mais líquidos do que consegue repor. Em crianças, alguns sinais podem aparecer antes de um quadro mais grave. Entre eles estão boca seca, pouca saliva, choro sem lágrimas, irritação, fraqueza, sonolência fora do habitual e redução da quantidade de urina.

Em bebês, a fralda pode permanecer seca por mais tempo do que o normal. Também merece atenção a criança que fica muito molinha, se movimenta menos, recusa líquidos ou apresenta olhos fundos. Fontanela deprimida, no caso de lactentes, saliva espessa, respiração alterada, batimentos acelerados e extremidades frias são sinais que exigem avaliação de saúde.

O Ministério da Saúde orienta que crianças com sinais de perigo sejam levadas com urgência a um serviço de saúde. Se houver dificuldade para fazer o transporte ou se o quadro parecer grave, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192. (gov.br)

Saiba reconhecer a insolação

A insolação é uma condição grave provocada pela exposição prolongada ao sol ou ao calor intenso. Os primeiros sintomas podem incluir dor de cabeça, tontura, náusea, pele quente, pulso acelerado, temperatura elevada e alterações na visão. Confusão mental, desmaio, convulsão, respiração difícil, fraqueza intensa ou perda de consciência indicam uma situação de emergência.

Se a criança apresentar esses sinais, retire-a imediatamente do sol e leve-a para um local fresco, ventilado e protegido. Remova o excesso de roupas, mantenha-a em repouso e, se estiver consciente e conseguir engolir, ofereça água ou outro líquido não alcoólico. Compressas frias podem ser colocadas na testa, no pescoço, nas axilas e na virilha. O atendimento médico deve ser buscado sem demora, especialmente diante de confusão, desmaio ou convulsão.

Não dê medicamentos por conta própria e não force a ingestão de líquidos se a criança estiver sonolenta, desacordada, convulsionando ou com dificuldade para engolir. Nesses casos, chame o Samu pelo 192 ou procure imediatamente um serviço de emergência. (gov.br)

Alimentação e higiene também merecem atenção

Em dias muito quentes, prefira refeições leves, preparadas com alimentos frescos e armazenadas corretamente. Frutas, legumes e outras opções in natura podem fazer parte da alimentação da criança conforme a idade e as orientações recebidas no acompanhamento de saúde.

O calor favorece a deterioração de alimentos que ficam fora da refrigeração por muito tempo. Leite, carnes, ovos, preparações com creme e outros produtos perecíveis devem ser mantidos em condições adequadas. Lave as mãos antes de preparar as refeições e antes de alimentar a criança. Garrafas, copos e recipientes de água também devem ser higienizados com frequência.

Se houver vômitos, diarreia ou febre, a família deve reforçar a oferta de líquidos e buscar orientação de uma unidade de saúde, principalmente quando a criança for pequena, tiver alguma doença crônica ou apresentar sinais de desidratação.

Checklist para os dias de calor

  • Ofereça água frequentemente para crianças a partir dos 6 meses.
  • Mantenha o aleitamento materno e não ofereça água a bebês menores de 6 meses em aleitamento exclusivo.
  • Use roupas leves, largas e de cores claras.
  • Deixe os ambientes ventilados e reduza a entrada de sol nos horários mais quentes.
  • Evite atividades físicas intensas e brincadeiras ao ar livre no pico do calor.
  • Use chapéu, roupas de proteção e protetor solar adequado para a idade.
  • Nunca deixe a criança sozinha em carros, quartos muito quentes, piscinas ou outros locais de risco.
  • Observe urina, disposição, respiração, temperatura e comportamento.
  • Procure atendimento diante de sonolência intensa, confusão, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar ou recusa persistente de líquidos.

Os cuidados com crianças no calor dependem de prevenção e observação contínua. Pequenas mudanças na rotina — como oferecer líquidos com frequência, escolher horários mais frescos e manter a casa protegida do sol — ajudam a reduzir os riscos. Quando surgirem sinais de desidratação ou insolação, a orientação é não esperar a piora: procure atendimento de saúde.