domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante o período de chuvas em Tabatinga

No período de chuvas em Tabatinga, cuidados com água, alimentos, mosquitos, lama e animais peçonhentos ajudam a prevenir doenças e acidentes. Saiba quando procurar atendimento de saúde.

O período de chuvas exige atenção redobrada com a saúde em Tabatinga. O aumento do volume de água pode favorecer a formação de criadouros do mosquito da dengue, contaminar água e alimentos, espalhar lama e esgoto, além de provocar acidentes com animais peçonhentos e problemas respiratórios.

As medidas de prevenção devem ser adotadas antes, durante e depois das chuvas. A recomendação é evitar contato com água de alagamentos, manter os recipientes protegidos, reforçar os cuidados de higiene e procurar atendimento de saúde diante de sintomas persistentes ou sinais de gravidade.

As orientações abaixo seguem recomendações do Ministério da Saúde para situações de enchentes e alagamentos.

Evite contato com água de alagamentos

A água acumulada nas ruas, quintais, terrenos e áreas próximas a córregos pode conter esgoto, lixo, produtos químicos e urina de animais infectados. Por isso, não é seguro caminhar, nadar ou permitir que crianças brinquem em águas de enchentes.

Mesmo quando a água parece limpa, ela pode estar contaminada. Ferimentos, cortes e arranhões facilitam a entrada de microrganismos no corpo. Se o contato for inevitável, cubra as lesões com curativos resistentes à água e use botas e luvas de borracha. Quando esses equipamentos não estiverem disponíveis, sacos plásticos duplos podem ser usados de forma provisória para proteger mãos e pés.

Também é importante não tocar em fios elétricos, tomadas, eletrodomésticos ou estruturas que tenham entrado em contato com a água. A combinação de umidade e eletricidade pode causar choques graves.

Leptospirose: atenção após contato com lama e enxurrada

A leptospirose é uma infecção causada pela bactéria Leptospira, encontrada principalmente na urina de ratos e outros animais infectados. Durante enchentes, a bactéria pode se espalhar pela água e pela lama, entrando no organismo por meio da pele, de ferimentos ou das mucosas.

Os primeiros sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dor muscular, cansaço, náusea, vômitos e diarreia. A dor nas panturrilhas é um sinal frequentemente associado à doença. Em alguns casos, podem surgir olhos ou pele amarelados, sangramentos, falta de ar e alterações nos rins ou no fígado.

Quem apresentar febre ou dores no corpo depois de ter contato com água de enchente, lama ou esgoto deve procurar uma unidade de saúde e informar claramente a exposição. O diagnóstico e o tratamento precoces são importantes para reduzir o risco de complicações. Não tome antibióticos por conta própria.

As recomendações oficiais sobre transmissão, sintomas e prevenção estão disponíveis na página do Ministério da Saúde sobre leptospirose.

Como limpar a casa com segurança

Depois que a água baixar, a limpeza deve ser feita com proteção adequada. Use botas e luvas de borracha, mantenha crianças e animais afastados e evite o contato direto com lama, entulho e objetos que tenham ficado submersos.

O Ministério da Saúde orienta retirar a lama, lavar pisos, paredes e objetos e fazer a desinfecção com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, seguindo a proporção indicada pelas autoridades sanitárias. Em uma orientação oficial, a recomendação para locais contaminados é adicionar 400 mililitros de hipoclorito de sódio a 2,5% a 20 litros de água e deixar a solução agir por 15 minutos.

O produto deve ser utilizado conforme o rótulo e as instruções oficiais. Não misture água sanitária com outros produtos de limpeza, pois isso pode liberar gases tóxicos. A limpeza de caixas-d’água também exige procedimento específico; se houver dúvida sobre a desinfecção do reservatório, procure orientação da vigilância sanitária ou de um serviço de saúde local.

Água para beber e preparar alimentos

Após alagamentos, a água da rede ou de reservatórios particulares pode sofrer contaminação. Para consumo, use somente água potável, filtrada, fervida ou tratada de acordo com a orientação dos órgãos de saúde.

Não beba água de poços, rios, igarapés, torneiras ou caixas-d’água que tenham tido contato com água de enchente sem que o reservatório seja adequadamente higienizado. Se houver alteração de cor, cheiro ou gosto, suspenda o consumo até obter orientação.

Alimentos que tiveram contato com a água da enchente devem ser descartados, mesmo que estejam dentro de embalagens aparentemente fechadas. Também devem ser inutilizados produtos com embalagens abertas, furadas, amassadas, enferrujadas ou que não ofereçam proteção contra a água.

Lave as mãos com água e sabão antes de preparar refeições, antes de comer e depois de usar o banheiro ou realizar a limpeza da casa. Quando não houver água disponível, utilize álcool em gel apenas quando as mãos não estiverem visivelmente sujas.

Previna a dengue e outras arboviroses

Depois das chuvas, pequenos volumes de água podem ficar acumulados em baldes, garrafas, pneus, pratos de plantas, caixas destampadas, calhas e outros recipientes. Esses locais podem se transformar em criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.

Faça uma vistoria no imóvel pelo menos uma vez por semana. Esvazie recipientes, mantenha garrafas viradas para baixo, tampe caixas-d’água, limpe calhas e descarte corretamente objetos que possam acumular água. Piscinas devem ser tratadas e mantidas cobertas quando não estiverem em uso.

Para reduzir as picadas, use roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas e repelentes registrados, sempre de acordo com as instruções do fabricante. Crianças pequenas não devem usar repelentes sem orientação adequada. Gestantes e pessoas com dúvidas sobre o produto devem buscar orientação de um profissional de saúde.

Febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo, náusea e manchas vermelhas podem ocorrer na dengue, mas os sintomas variam. Não use medicamentos por conta própria, especialmente remédios que possam aumentar o risco de sangramento. Procure atendimento para avaliação e orientação sobre hidratação e acompanhamento.

Fique atento aos sinais de alarme da dengue

Alguns sinais exigem atendimento imediato, principalmente quando aparecem depois que a febre começa a diminuir. Entre eles estão dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência ou irritabilidade, dificuldade para respirar, tontura, desmaio, pele fria e pouca urina.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem precisar de avaliação mais cuidadosa. Ao procurar o serviço de saúde, informe quando os sintomas começaram, se houve contato com água de enchente e quais medicamentos foram utilizados.

Proteja-se de diarreias e outras infecções

Água e alimentos contaminados podem causar diarreia, vômitos, dor abdominal e febre. Para reduzir o risco, consuma alimentos bem cozidos, mantenha os produtos protegidos de insetos e animais e não use itens que tenham entrado em contato com água de alagamento.

Em caso de diarreia, a hidratação é essencial. Beba líquidos seguros e procure atendimento se houver sangue nas fezes, febre alta, vômitos repetidos, sinais de desidratação ou piora do estado geral. Boca seca, fraqueza intensa, tontura e redução da urina podem indicar perda importante de líquidos.

O soro de reidratação oral deve ser utilizado conforme as instruções da embalagem ou orientação profissional. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem desidratar mais rapidamente.

Cuidado com cobras, escorpiões e aranhas

Durante e depois das enchentes, animais peçonhentos podem sair de seus esconderijos e aparecer em casas, móveis, pilhas de madeira, entulhos, roupas e calçados. Antes de usar sapatos, botas, roupas de cama ou objetos que ficaram no chão, verifique cuidadosamente o interior.

Não coloque as mãos em buracos, frestas, caixas, montes de folhas ou entulhos. Use ferramentas para mover materiais e mantenha os pés e as mãos protegidos durante a limpeza.

Em caso de picada, lave o local com água e sabão, mantenha a pessoa em repouso e procure atendimento o mais rápido possível. Não faça cortes, não sugue o veneno, não coloque substâncias sobre a ferida e não tente capturar o animal. Se for seguro, uma fotografia pode ajudar na identificação, mas não se exponha a outro acidente.

Cuidados com a vacinação e com doenças respiratórias

O período de chuvas também pode aumentar a permanência de pessoas em ambientes fechados e favorecer a disseminação de infecções respiratórias. Mantenha os ambientes ventilados, lave as mãos com frequência e evite compartilhar copos, talheres e objetos pessoais.

Confira se a vacinação está atualizada, especialmente contra doenças relacionadas a ferimentos e contaminação. Em situações de enchente, cortes causados por objetos sujos podem aumentar o risco de tétano. A necessidade de vacinação ou de outras medidas deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Quando procurar atendimento

Procure uma unidade de saúde se tiver febre persistente, falta de ar, dor intensa, vômitos repetidos, diarreia com sinais de desidratação, sangramento, confusão mental, pele ou olhos amarelados, redução da urina ou piora rápida dos sintomas.

Também é importante buscar avaliação depois de contato com água de enchente ou lama quando surgirem febre, dor de cabeça, dor muscular ou mal-estar. Informe o profissional sobre o local e o tipo de exposição, mesmo que o contato tenha ocorrido alguns dias antes.

Em situações de risco, siga os alertas e as orientações da Defesa Civil, dos serviços de saúde e das autoridades municipais. A prevenção começa com medidas simples: evitar água contaminada, proteger alimentos, eliminar criadouros do mosquito, usar equipamentos durante a limpeza e não adiar o atendimento quando houver sinais de alerta.