O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas reúne, em três volumes e aproximadamente 1.742 páginas, diagnósticos e propostas para áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. O documento foi apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo.
A coordenação do trabalho ficou a cargo do empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, que articulou equipes formadas por profissionais de diferentes áreas. A elaboração envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, administradores, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.
Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, tendo Alessandra Campêlo como vice-governadora. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027. O planejamento apresentado pretende oferecer uma agenda para além de um único mandato, com ações associadas a diagnósticos, indicadores, metas e estratégias de execução.
Três volumes organizam as propostas
O primeiro volume é dedicado à situação fiscal do Amazonas, aos impactos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. O conteúdo também aborda o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, a expansão de atividades produtivas no interior, a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia.
A proposta parte da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Estado e reduzir desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior. Nesse conjunto de temas, o planejamento relaciona as condições fiscais e logísticas à criação de novas atividades econômicas e ao fortalecimento de setores já presentes no Amazonas.
O segundo volume trata de saúde, segurança pública e assistência social. Na área da saúde, o plano prevê a regionalização do atendimento, a expansão da telessaúde para os 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.
Para a segurança pública, o documento propõe a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação da iniciativa por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social é apresentado como uma estratégia para fortalecer a rede de proteção às famílias vulneráveis e ampliar oportunidades de autonomia econômica.
O terceiro volume reúne propostas para educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas listadas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a ampliação da educação profissional e tecnológica.
O volume também inclui a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador, além do fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). A valorização cultural e a proteção dos povos indígenas também aparecem entre os temas abordados.
Participação de especialistas e instituições
A construção do plano foi organizada por áreas temáticas e contou com equipes multidisciplinares. O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes.
Os documentos procuram relacionar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para sua implementação. O planejamento também destaca a continuidade das políticas públicas, com a intenção de estruturar iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo.
Entre os temas incorporados ao material estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A execução das ações é associada ao acompanhamento por indicadores, metas e instrumentos de avaliação.
O objetivo é permitir a verificação dos resultados ao longo do tempo e estabelecer uma conexão entre o planejamento, as prioridades da administração e a avaliação das políticas públicas.
Experiência de Durango Duarte combina pesquisa e gestão
A participação de Durango Duarte na coordenação do plano está relacionada a uma trajetória de mais de quatro décadas em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e construiu na capital amazonense a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.
Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também se graduou em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).
Sua formação inclui especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Os conhecimentos estão relacionados às atividades que desenvolveu em pesquisa, comunicação e planejamento estratégico.
A aproximação com a política ocorreu durante o movimento estudantil, na década de 1980, em atividades ligadas à redemocratização do país e à representação universitária. Nesse período, estabeleceu relações que acompanhariam sua trajetória profissional.
Relação com Omar Aziz começou em 1988
A relação profissional entre Durango Duarte e Omar Aziz começou no contexto da vida estudantil e política amazonense. Em 1988, Durango foi convidado por Omar para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.
Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Depois, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais.
Ao longo desse percurso, participou de estudos, estratégias e projetos ligados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Sua trajetória é associada a iniciativas como Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.
Perspectiva ampliou atuação em pesquisas
A experiência de Durango com pesquisas começou em 1990, em trabalhos realizados com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Na época, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um período no qual os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.
Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores.
Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento voltado à identificação das marcas e dos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.
A atuação no setor consolidou sua experiência na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.
Empresas, comunicação e tecnologia
Além da Perspectiva, Durango diversificou suas atividades empresariais. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, que reuniu serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.
Em 2021, fundou a Red Agency, do setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais. A expansão dos negócios ampliou sua experiência em gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial.
Esse conjunto de experiências esteve presente na coordenação do plano estratégico, que exigiu a articulação de profissionais com diferentes especialidades e a organização de estudos em áreas distintas da administração estadual.
Memória histórica também integra a trajetória
Paralelamente às atividades empresariais e de consultoria, Durango desenvolveu trabalho relacionado à pesquisa, documentação e preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à reunião e preservação de registros históricos.
Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.
Durango também participou da produção de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.
Ele também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.
Plano será referência para a próxima gestão
Com a eleição de Omar Aziz, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas passa a integrar o conjunto de referências técnicas que poderão orientar a próxima administração estadual. O governador eleito retorna ao comando do Executivo depois de ter administrado o Estado entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a vice-governadora, primeira mulher eleita para o cargo no Amazonas.
A gestão que começará em janeiro de 2027 deverá lidar com temas como reorganização administrativa, ampliação dos investimentos, melhoria dos serviços públicos e desenvolvimento dos municípios do interior. O plano reúne propostas para essas áreas, cuja implementação dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária e da capacidade de execução dos órgãos estaduais.
A execução também deverá envolver articulação com municípios, União e setor produtivo. Nesse contexto, os três volumes funcionam como uma base de diagnósticos e propostas para a formulação das políticas públicas da próxima administração.
A participação de Durango Duarte no trabalho reúne experiências acumuladas no movimento estudantil, na consultoria governamental, no empreendedorismo, na pesquisa de opinião pública e na preservação histórica. O resultado é um documento que organiza diferentes áreas da gestão estadual em uma agenda de desenvolvimento para o Amazonas.








