Jornais antigos, fotografias, documentos oficiais e registros audiovisuais formam a base do trabalho do Instituto Durango Duarte (IDD), instituição dedicada à preservação e à divulgação da história de Manaus e do Amazonas. Criado em 15 de abril de 2016, o instituto publica livros e artigos, organiza fontes históricas e promove atividades voltadas à pesquisa sobre a região.
Os materiais reunidos pela entidade registram inaugurações, conflitos, mudanças na paisagem urbana e acontecimentos que marcaram diferentes gerações. A produção também aborda temas culturais, econômicos e políticos, com pesquisas que percorrem desde a história das praças e dos cinemas até o ciclo da borracha, a formação da província e a implantação da Zona Franca.
Acervo e produção editorial
O IDD é uma associação sem fins lucrativos que busca preservar documentos e estimular a produção literária e acadêmica sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Entre os materiais divulgados estão livros, artigos, fotografias, vídeos, cartografias, jornais, revistas e documentos históricos.
Segundo a entidade, sua biblioteca particular reúne mais de oito mil obras. O conjunto inclui ainda diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, além de produções audiovisuais. A biblioteca não está disponível para consulta neste momento, mas parte dos conteúdos publicados pode ser acessada no portal do instituto.
O empresário, publicitário, escritor e pesquisador Durango Duarte está à frente da instituição. Sua relação com a memória de Manaus começou antes da criação do IDD. Em 2009, ele publicou Manaus, entre o passado e o presente, guia histórico e fotográfico que serviu de base para novas pesquisas sobre os espaços urbanos. Em 2012, lançou 343 Manaus, obra dedicada à apresentação visual e turística da cidade.
Espaços urbanos e vida cultural
A paisagem da capital é um dos temas da pesquisa do instituto. Publicado em 2023, Praças históricas de Manaus acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram. O livro amplia e revisa o capítulo sobre praças presente na publicação de 2009.
Ao reunir informações sobre locais que tiveram suas configurações ou usos modificados, a obra recupera referências da cidade que já não podem ser observadas integralmente nas ruas. A pesquisa registra, assim, diferentes momentos da formação urbana de Manaus.
A história das salas de cinema é abordada em A Sétima Arte em Manaus, publicado em 2017. O livro trata da chegada de empresas exibidoras, das salas existentes na capital e dos festivais realizados na cidade.
A música também integra a produção do instituto. Entre os trabalhos dedicados ao tema estão A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro.
Jornais como fonte e objeto de pesquisa
A imprensa ocupa uma posição central no acervo do IDD. Os jornais são utilizados tanto como fontes para a reconstrução de acontecimentos quanto como objetos de estudos específicos sobre a comunicação e a política no Amazonas.
A coleção 50 Anos Hoje organiza, por ano, acontecimentos registrados nos jornais de Manaus. No volume dedicado a 1970, aparecem a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.
A reunião dessas notícias permite acompanhar transformações urbanas e episódios do cotidiano em uma mesma sequência documental. Já os livros Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará se concentram em períodos de tensão e controvérsia na história dos jornais locais.
Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a pesquisa examina as disputas ocorridas em 1958 e 1959. Nesse período, a publicação oficial do Estado tornou-se espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa. O estudo relaciona a história institucional aos registros produzidos pela comunicação oficial.
Economia, política e formação do Amazonas
Outro grupo de publicações trata da formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia acompanha a história do ciclo da borracha e suas diferentes fases.
Já A Construção da Província do Amazonas, publicado em 2025, examina o período de 1851 a 1859, depois da separação do Grão-Pará. A obra aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.
A implantação da Zona Franca é tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, com participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa, a publicação acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.
Memória estudantil e aproximação acadêmica
Parte das pesquisas do instituto está relacionada à experiência de Durango Duarte no movimento estudantil amazonense durante os anos 1980. Ele foi dirigente de centros acadêmicos e conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.
Esse período aparece em trabalhos sobre a mobilização estudantil, incluindo uma coletânea de entrevistas com personagens que participaram do movimento entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.
O IDD afirma buscar a aproximação com a comunidade acadêmica e o incentivo à produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos fazem parte das atividades da instituição, ao lado da organização de fontes históricas e do lançamento de publicações.
Com documentos preservados e pesquisas publicadas, o instituto procura manter em circulação informações sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense. O trabalho combina a conservação do acervo com a produção de novas leituras sobre a região.
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